Trabalhando com Gêneros Textuais: Textos Literários e não Literários
Leila Castro da Silva[1]
RESUMO: Neste texto apresento minha experiência de prática em sala de aula com textos literários e não literários, com os gêneros poesia e notícia. Trabalho este realizado através do curso Gestar II. O mesmo foi desenvolvido com a turma da 1ª fase do 3º ciclo da Escola Estadual “Esperidião Marques”, de Cáceres, durante algumas aulas do segundo bimestre do ano letivo de 2009.
PALAVRAS-CHAVE: literário - não-literário – poesia – notícia.
A escolha do tema deste projeto Trabalhando com gêneros textuais e do título Descobrindo caminhos da poesia, deu-se devido a já termos trabalhado separadamente os gêneros – poesia e notícia, utilizando com o último, jornais impressos e televisivos. Então, a junção de textos de anúncios reais e fictícios veio ao encontro do que a turma já estava estudando, e assim complementaria e facilitaria o entendimento sobre texto literário e não literário.
Dessa forma, o objetivo maior deste trabalho é, além de levar os alunos a distinguirem as características do texto literário e do não literário, também dar condições e orientações a eles em suas produções de textos, inclusive, para os textos vistos cotidianamente, como os anúncios e propagandas, numa perspectiva discursiva.
Durante muito tempo no ambiente escolar, os gêneros foram associados apenas à literatura, mas, com as propostas de trabalho dos PCNs, essa idéia foi ampliada e os gêneros são reconhecidos como unidades sociocomunicativas para qualquer finalidade de textos (Gestar II – TP 3. p.55 )
A proposta do trabalho se inicia com a leitura de dois textos e, em seguida, a elaboração da produção textual. Ao lerem o texto 1, intitulado “Classificados”, os alunos logo lembraram dos anúncios dos jornais e dos que sempre estão em murais em alguns pontos da cidade (mercados, farmácias, fotocopiadoras e outros). Após a leitura, houve discussão sobre a forma composicional dos objetos listados e sobre as informações contidas no anúncio, enfim, os alunos perceberam que se tratava de um texto curto e objetivo. Feito esse entendimento, analisaram as questões propostas, e todos tiveram oportunidade de elaborar os seus questionamentos.
Hoje, há um consenso entre os estudiosos para se classificar os textos: tanto os textos literários, quanto os não-literários, são assim classificados por um conjunto de fatores que não podem ser considerados isoladamente, mas dependendo da função maior que um texto exerce na interação, sua classificação pode variar. Os textos considerados literários põem, geralmente, em ressalva, o plano da expressão, da sonoridade, do jogo de imagens, já os textos não-literários (funcionais ou utilitários) têm como finalidade maior a informação (informar, convencer, explicar, responder, ordenar, etc.).
No momento da leitura do texto 2, “Anúncio de Zoornal”, de Sérgio Caparelli, houve dúvidas em relação a palavra “Zoornal”, pois, até então era desconhecida de todos. Percebeu-se neste momento que sozinhos tiveram dificuldades em responder às questões propostas, já que o texto tem uma linguagem diferente da que eles usam cotidianamente, pois se trata da linguagem poética. Mas, com aprofundamento nas leituras e direcionamento da prática de sala de aula, os alunos foram compreendendo e achando interessante o texto, inclusive quando descobriram a formação e significação da palavra “Zoornal”, que se configura em criação do artista, que era a dúvida no início da leitura.
A literatura é chamada de ficção, isto é, imaginação de algo que não existe particularizado na realidade, mas no espírito de seu criador. O objeto da criação poética não pode, portanto, ser submetido a verificação extratextual. A literatura cria o seu próprio universo, semanticamente autônomo em relação ao mundo em que vive o autor, com seus seres ficcionais, seu ambiente imaginário, seu código ideológico, sua própria verdade, animais que falam a linguagem humana, tapetes voadores, etc. (Salvatore, 1995:19)
Ao analisarem os dois textos, perceberam as diferenças e semelhanças existentes entre eles, constataram através da linguagem, o que faz parte do real e o que faz parte do imaginário. Que o primeiro texto trata de um anúncio real, com objetos verdadeiros, e com objetivos verdadeiros e que o segundo trata-se de um anúncio ficcional em que o autor brinca com as palavras/imagens, explorando-as para proporcionar prazer ao leitor e ouvinte.
Neste sentido, é valioso lembrar a importância da leitura de gêneros diversificados, que possibilitem aos estudantes maior conhecimento textual, isto é, levá-los, a saber, que “Do mesmo modo que desenvolvemos uma competência lingüística quando apreendemos o código lingüístico, desenvolvemos uma competência sociocomunicativa quando apreendemos comportamentos lingüísticos”. (Gestar II. 2008:24). Toda nossa comunicação se dá por textos. E todo texto se realiza em um gênero, e como ele é considerado uma unidade sociocomunicativa, a sua sistematização no aprendizado e também no ensino leva em consideração diversas características, essas podem ser ligadas ao tema, ao modo de organizar as informações, ou ao uso que se faz do texto nas práticas sociais e discursivas.
Enriquecendo ao parágrafo acima, Marcuschi afirma que: “ Os gêneros textuais são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam padrões sociocomunicativos...são formas textuais escritas ou orais bastante estáveis, histórica e socialmente situadas”. (2008:155).
Ao criarem seus anúncios, os alunos observaram quais verbos (modo e tempo) iriam usar, quais características dariam aos objetos anunciados, buscaram no dicionário a ortografia de algumas palavras, dialogaram bastante e também deram boas risadas, pois faziam várias combinações, rimas etc. Percebeu-se que foi uma ótima experiência, houve interesse dos alunos, principalmente, no momento de criarem os textos – anúncios – reais e ficcionais, pois, é também pelo estudo e pela prática de textos que os estudantes poderão ser bem sucedidos no desempenho lingüístico.
Neste sentido, é coerente lembrar o que diz os PCNs (1998:24) em relação à seleção dos textos: “Os textos a serem selecionados são aqueles que, por sua características e usos, podem favorecer a reflexão crítica, o exercício de formas de pensamento mais elaboradas e abstratas, bem como a fruição estética dos usos artísticos da linguagem, ou seja, os mais vitais para a plena participação numa sociedade letrada”.
Portanto, acredito que, ao trabalhar com os gêneros textuais, despertou-se nos alunos a consciência de que nos comunicamos por textos, por gêneros, e não simplesmente por palavras isoladas, que exercemos nosso trabalho na linguagem quando construímos nossos próprios textos a partir de escolhas lingüísticas que condizem com a nossa história de vida, experiências e propósitos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PROGRAMA GESTÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR – Gestar II. Língua Portuguesa: Caderno de Teoria e prática. Brasília; Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008.
D’ONOFRIO, Salvatore. Teoria do texto 1. Prolegômenos e teoria da narrativa. São Paulo editora Ática, 1995.
PARÂMETROS CURRICULARES NACONAIS. 2. Língua Portuguesa: terceiro e quarto ciclo do ensino fundamental: língua portuguesa/Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1998.
MARCUSCHI, Luiz Antonio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
Professora Cursista do Programa Gestar II- Língua Portuguesa -Cáceres/MT.
[1]E. E. “Esperidião Marques”, Cáceres/MT.
TEORIAS E PRÁTICAS DISCUTEM, EXPLORAM E VIVENCIAM A LINGUAGEM (VERBAL E NÃO VERBAL) E SEUS SENTIDOS.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
2º OFICINA: TP3
GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS
Com o objetivo de proporcionar momentos de estudos e reflexões sobre o trabalho com os gêneros e tipos textuais em sala de aula, iniciamos a oficina do TP 3 de Língua Portuguesa explorando a concepção que nossos professores possuíam em relação ao tema. Para tanto, utilizamos a dinâmica dos "balões de textos"(em cada balão havia um papel com um gênero e /ou tipo textual, após estourarem os balões , os professores falariam sobre eles ).
ANALISANDO GÊNEROS TEXTUAIS

Levamos uma grande variedade de gêneros textuais (crônicas, poesias,cordel, carta comercial, carta pessoal, horóscopo, bula, propaganda, biografia, diário, fábula, receita, bilhete, divulgação científica, cartão postal,convite, conto...) para que os professores fizessem a análise do material considerando: classificação (gênero), forma, leitor, tipo de linguagem, finalidade e aplicabilidade em sala de aula. Esta atividade possibilitou a análise de diferentes textos, tendo como base as orientações e sugestões do TP3 e a troca de experiências de trabalhos já realizados pelos professores. Complementamos esta atividade com a leitura do texto do Ampliando nossas referências: “Gêneros textuais: definição e funcionalidade” de Luiz Antonio Marcuschi.
LEITURA E PLANEJAMENTO
Utilizando o poema “Poema tirado de uma notícia de Jornal” de Manoel Bandeira e a música “Bom dia” de Gilberto Gil e Nana Caymmi, os professores cursistas planejaram atividades de leitura,interpretação e produção de textos visando à análise, caracterização e classificação dos gêneros textuais.
A leitura e discussão do texto “Descrição e dissertação” (Platão, F. & Fiorin, J. L. Para entender o texto) do Ampliando as referências- TP3 permitiu uma reflexão sobre as características e o uso, dentro fora da sala de aulas, dos vários tipos de textos: narrativos, descritivos, dissertativos (expositivos e argumentativos) e os injuntivos e preditivos.
SEQUÊNCIAS TIPOLÓGICAS

Em pequenos grupos, os professores desenvolveram as atividades 05 da Unidade 11 e 04 da Unidade 12, consideradas fio condutor de reflexão sobre os conceitos fundamentais das unidades acima citadas, ou seja, “um gênero compõe-se de várias seqüências tipológicas diferentes, e as variadas seqüências tipológicas que compõem um gênero também podem ser muito heterogêneas, mas estão sempre muito interligadas, pois presta-se à realização desse gênero”(TP3 pág.163).
MOMENTO DE POESIA

Além das atividades orientadas no material, incluímos momentos de envolvimento emocional através da leitura e declamação de poesias.
A poesia em sala de aula tem como objetivo sensibilizar os professores e alunos para a fruição estética, apreciação do sensível.
SOCIOCOMUNICAÇÃO

Concluímos o TP3 desenvolvendo as atividades propostas na Oficina 6 (análise do texto "Composição: salário mínimo" de Jô Soares) que serviram para consolidar os conhecimentos construídos até aquele momento:em um texto podemos encontrar várias seqüências tipológicas, mas é a situação sócio-comunicativa que define o gênero do texto.
Transposição Didática
Atividades didáticas desenvolvidas por professores cursistas com seus alunos, tendo como subsídio teorias de aprendizagens e didáticas trabalhadas na oficina do TP3.
1ª OFICINA - GESTAR II DE LÍNGUA PORTUGUESA
1ª OFICINA
GUIA GERAL
GUIA GERAL
APRESENTAÇÃO

A apresentação do Programa Gestão da Aprendizagem – Gestar II de Língua Portuguesa ao professores cursistas do município de Cáceres iniciou-se em clima de expectativas e dúvidas por parte de todos: O Gestar era só mais um curso de capacitação de professores? Teria acompanhamento? Ajudaria na prática pedagógica? Afinal, o que era o Gestar II?
MURO DO DESABAFO
Antes de apresentarmos o Programa Gestar II e responder todas essas questões, optamos por desenvolver uma atividade que abrisse espaço para que os professores se apresentassem aos colegas e ao mesmo tempo pudessem compartilhar com o grupo suas angustias e frustrações enquanto professores de Língua Portuguesa dos anos finais do Ensino Fundamental.
A atividade foi denominada de “Muro do Desabafo”. Diante dele, os professores expuseram todas as dificuldades vivenciadas em sala de aula tais como: indisciplina, desinteresse dos alunos, famílias desestruturadas e descompromissadas com a educação dos filhos, alunos com conhecimentos aquém do esperado para o nível de ensino que estão cursando, a falta de recursos didáticos pedagógicos adequados, escolas com estrutura física inadequada, avaliação inadequada do processo ensino aprendizagem, violência dentro e fora das escolas entre outros.
A atividade foi denominada de “Muro do Desabafo”. Diante dele, os professores expuseram todas as dificuldades vivenciadas em sala de aula tais como: indisciplina, desinteresse dos alunos, famílias desestruturadas e descompromissadas com a educação dos filhos, alunos com conhecimentos aquém do esperado para o nível de ensino que estão cursando, a falta de recursos didáticos pedagógicos adequados, escolas com estrutura física inadequada, avaliação inadequada do processo ensino aprendizagem, violência dentro e fora das escolas entre outros.
OS SABERES E SABORES DA DOCÊNCIA

Na seqüência apresentamos o muro “Os Saberes e Sabores da Docência”, representando alguns, dos muitos aspectos positivos dessa profissão (a competência, sabedoria, alegria, criatividade, inovação, desafio, descoberta, superação, envolvimento, transformação...) que tem compromisso com a construção da cidadania.

Na seqüência apresentamos o muro “Os Saberes e Sabores da Docência”, representando alguns, dos muitos aspectos positivos dessa profissão (a competência, sabedoria, alegria, criatividade, inovação, desafio, descoberta, superação, envolvimento, transformação...) que tem compromisso com a construção da cidadania.
MOMENTO DE ANÁLISE...
Compreendemos que este foi um momento importante para começarmos nossa reflexão sobre o que ocorre dentro e fora da sala de aula, tanto do ponto de vista do conteúdo pedagógico como das relações entre os sujeitos envolvidos no processo de ensino aprendizagem. Sabemos que a sala de aula é um espaço privilegiado para ação educativa e o professor, como mediador desse processo contribui para o desenvolvimento de uma cidadania adaptada ao mundo contemporâneo e a para a construção das competências (Perrenound, Thurler, Macedo, Machado e Allessandrini, 2002).
REFLEXÃO

Ilustramos esta concepção, trabalhando o filme “O Saber e o Sabor” que dentre outras coisas, aborda uma ação educativa baseada em uma pedagogia construtivista que garante os sentidos dos saberes, cria situações de aprendizagem, administra a heterogeneidade e leva a reflexão dos processos e percursos da formação de professores.
GESTÃO DA APRENDIZAGEM
Foi partindo deste pressuposto que apresentamos o Programa Gestão da Aprendizagem – Gestar II de Língua Portuguesa aos professores cursistas de Cáceres: Modalidade, Proposta Pedagógica, Fundamentos da Proposta Pedagógica, Currículo do Gestar II- Língua Portuguesa, Avaliação, Expectativas de Mudanças e Especificidades do Programa, dando ênfase ao fato de que o Gestar II se orienta para a criação de uma nova escola, que contemple a complexidade do mundo contemporâneo articulando-o com a educação dos alunos, não perdendo de vista a formação permanente dos professores e as possibilidades de proporcionar espaços para o aperfeiçoamento do seu desempenho pessoal e acadêmico ( MEC, 2008).
Com todas as dúvidas sanadas, encerramos a oficina com a avaliação das atividades desenvolvidas ao longo do dia e constatamos que os professores cursistas ficaram satisfeitos com as atividades e principalmente com a proposta de trabalho do Gestar II.
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Gestar II - I ª Oficina Guia Geral
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