quinta-feira, 5 de novembro de 2009

3ª OFICINA


Leitura e processos de escrita I






Autorretrato






Para dar continuidade a elaboração de conceitos e práticas consideradas fundamentais para o fazer pedagógico do professor de Língua Portuguesa de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental, demos início à Oficina de Leitura e Processos de Escrita, sugerindo aos professores que em uma folha de papel fizessem seu auto-retrato. Na parte interna da folha pedimos que um grupo de professores conceituasse o processo de aquisição da escrita e outro grupo o processo de aquisição de leitura.



Os depoimentos e conceitos que surgiram a partir desta atividade serviram de pretexto para discutirmos o conceito de letramento.


Letramento



De acordo com Maria Antonieta Antunes Cunha (TP4, pág.31) o letramento se refere aos modos com que a escrita se apresenta na nossa sociedade, seus usos e suas funções nas diferentes situações comunicativas em que é utilizada coletiva e pessoalmente.


Para ilustrar o tema utlizamos alguns vídeos como este:




Ler devia ser proibido





Partindo deste pressuposto, o letramento é o estado ou condição que adquire um grupo social ou indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita.



Neste processo de letramento a escrita e a leitura são consideradas práticas básicas para o ensino a partir do texto.



Para tanto, o professor precisa desenvolver um trabalho de leitura, compreensão, interpretação e escrita de diversos tipos e gêneros textuais, possibilitando assim a compreensão da funcionalidade da língua por parte do aluno.


D e como se constitui a questão...

O texto “De como se constitui a questão...” (Matencio, M de L. M., 1994) em Ampliando Nossas Referências, complementou as reflexões e discussões sobre as atividades de construção de sentidos, práticas discursivas de leitura e escrita, processo de letramento e a leitura e escrita dos alunos.


"Estou adotando, tal como Kleiman (1993, p.3), a visão de que o processo de
letramento é constituído por “práticas e eventos relacionados ao uso, função e impacto
da escrita na sociedade”, segundo a qual a leitura e a escrita realizada pelos alunos é
orientada não apenas pelo processo de escolarização, mas também pela experiência
prévia e/ou exterior à escola."

Matencio, M de L. M. Leitura, produção de textos e a escola.
Campinas: Mercado das Letras, 1994. p.17-19.

Relatos

Os relatos das transposições didáticas constituíram outro importante momento para troca de experiências, análises e reflexões sobre a prática pedagógica dos professores cursistas. A partir desses relatos foi possível perceber os avanços e dificuldades vivenciados por eles no desenvolvimento das atividades dos “Avançando na Prática” e do AAA 4, e fazer as intervenções e orientações necessárias.





POESIA


Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.


Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
devagar... as janelas olham.


Eta vida besta, meu Deus.


ANDRADE, C.D. de. Poemas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1959. p. 165


Os professores cursistas, divididos em pequenos grupos e por série, planejaram a exploração do poema "Cidadezinha Qualquer" de Carlos Drummond de Andrade. ( TP4- Oficina 7).
Neste momento, muitos professores relataram atividades já desenvolvidas em sala de aula com o poema "Cidadezinha Qualquer".




Durante a avaliação da atividade, os professores demonstraram estarem muito entusiasmados com as atividades sugeridas no material do Gestar II e com as sugestões dos colegas.
Com base no texto “Porque meu aluno não lê?” (Kleiman, 2002) do Ampliando Nossas Referências, discutimos o processo de leitura e compreensão do texto, abordando os tipos, objetivos e procedimentos de leitura, considerando inclusive a estrutura do texto.



Iniciamos a Oficina 8, com os relatos das atividades desenvolvidas dos Avançando na Prática , referentes às Unidades 15 e 16. Neste momento os professores relataram que as atividades sugeridas são muito práticas e envolventes, pois é possível trabalhar os vários gêneros e tipos de textos considerando a diversidade cultural dos alunos. Fechamos os relatos discutindo as crenças, teorias e fazeres na produção textual.
DEPOIMENTOS
Com depoimentos de escritores e educadores como Patativa do Assaré, Paulo Freire, Luís Fernando Veríssimo, Luiz Vilela e Lygia Fagundes Telles, concluímos o assunto sobre o processo de aquisição de leitura e escrita.

Patativa do Assaré

“Eu estudei só seis meses. Agora eu fui me valer do livro. Que não era o livro didático não. Eu não queria saber de categorias gramaticais não. Queria saber de outras coisas. Eu lia era revista, era livro, jornais. Eu queria era satisfazer minha curiosidade, não era ler gramaticalmente como vocês por aí não.

Neste globo terrestre
apresento os versos meus
porém eu só tive um mestre
e esse mestre é Deus

Foi a natureza mesmo. Muito curioso para saber as coisas, tudo o que eu lia eu gravava aqui na mente. Eu queria era ler as histórias, a vida da pátria e isso e aquilo, queria saber das coisas, não queria saber de livro de concordância e isso e aquilo. Agora, com essa prática de ler eu pude obter tudo, viu? Como se eu tivesse estudado, pegado livros didáticos, livros lá de colegas, essas coisas, viu?
Eu aprendi lendo. Com a prática de ler a gente vai descobrindo e sabe que nem pode dizer: tu sois e nós é. Eu aprendi com a prática.”
Feitosa, T. (Org.). Patativa do Assaré – digo e não peço segredo. São Paulo: Escrituras, 2003.

Luiz Vilela


"Muita gente pensa que é fácil. É um engano. Escrever é muito difícil. É a coisa mais difícil do mundo. Tem hora, por exemplo, que você empaca numa frase, ou numa simples palavra, e não há santo que ajude. Mas o pior é quando você quer escrever alguma coisa e não sai nada. Aí é desesperador. Quando isso ocorre, a vontade que eu tenho é a de meter a cabeça na parede."
Para gostar de ler, vol.8, p.9.




Na segunda parte da Oficina 8, os professores realizaram as atividades propostas fazendo o planejamento de atividades que desenvolveriam com os alunos a partir das imagens da Oficina 8.
A avaliação da Oficina como um todo, foi muito satisfatória, pois os professores estão conseguindo fazer a relação entre teoria e prática pedagógica.

Nenhum comentário:

Postar um comentário