terça-feira, 24 de novembro de 2009

LEITURA E PROCESSOS DE ESCRITA II







LINGUAGEM E ARGUMENTAÇÃO
Maria Luiza Monteiro Sales Coroa






• Nossa existência de seres humanos é moldada pela nossa capacidade de agir pela linguagem.
• Distinguimo-nos de outras espécies animais porque somos capazes de nos constituir humanos pelo exercício da faculdade da linguagem.
• Pela linguagem organizamos o saber, a vida. Pela linguagem agimos sobre nossos pares e sobre o mundo. Por isso, todos os seres humanos são, ao mesmo tempo, origem e produto da linguagem, origem e produto da história que nos leva a construir formas de comunicação e de atuação específicas.
• Nessa perspectiva, todo uso da linguagem é argumentativo, pois estabelece uma interação com o outro, uma relação de fazer social.
• Cada atividade de linguagem em que nos engajamos tem propósitos e finalidades e se assim considerarmos, toda vez que nos comunicarmos buscamos fazer algo, impressionar o outro buscar reações, convencê-lo.
• Somos seres argumentativos porque objetivamos algo com o uso da linguagem. (Pág.13 e 14).


A CONSTRUÇÃO DA ARGUMENTAÇÃO








Professores dramatizam texto escritos por eles.

• Estratégias ou recursos argumentativos: variedade de formas de conhecimento utilizadas;

• Tese: idéia principal... objetivo de convencimento do leitor / ouvinte.

• Argumentos: motivos ou razões utilizadas para convencer o leitor da validade da tese.


A TESE E SEUS ARGUMENTOS




• Argumentos baseados no senso comum, ou consenso;
• Argumentos baseados em provas concretas;
• Argumentação por exemplo;
• Argumento de autoridade;
• Argumentos por raciocínio lógico.

Argumentação inadequada ou defeituosa: quando não dá condições para que os objetivos sejam atingidos. Razões: incompreensão, desenvolvimento do texto, não correspondência entre argumentos e “mundo real”. Pág. 55

Boa argumentação: depende da clareza, do objetivo (da tese a comprovar), da solidariedade entre os argumentos: todos devem conduzir para o mesmo objetivo.Pág.55
Professores produzem textos Argumentativos:

Analise o objeto/ produto apresentado e desenvolva um texto argumentativo para vendê-lo;
Expor oralmente a argumentação;

1- Pneu de estepe velho e furado.
2- Bola murcha (furada) e com gomos rasgados.
3- Caneta usada e sem carga.
4- Embalagem de baton.
5- Óculos sem lente.
6- Desinfetante mal cheiroso.
7- Mala sem alça.
8- Lâmpada queimada.
9- Ferro de passar roupa, estragado.
10- Celular sem bateria.
11- Meia furada

PRODUÇÃOTEXTUAL
Silviane Bonaccorsi Barbato


Processo de produção textual
• Planejamento;
• Escrita ou composição;
• Revisão;
• Edição.

Funções básicas da língua escrita:





• a) Expressiva: é utilizada para a expressão individual, centrada no eu (diários, cartas depoimentos, bilhetes, artigos, poemas)
• b) Apelativa: é centrada no leitor e tem por objetivo influenciar o comportamento de quem lê.
• c) Metalingüística: quando a linguagem se refere a si mesma, se constituindo
objeto de descrição e explicação.
• d) Poética: ao focar no texto as suas possibilidades expressivas, o autor elaborar no leitor uma experiência estética.
• e) Referencial: utilizada para descrever, conceituar e informar.




PLANEJAMENTO



Metacognição: habilidade de refletir sobre os próprios processos cognitivos (usos da percepção, memória, linguagem, atenção e raciocínio), como, por exemplo a tomada de decisão em relação ao uso de um certo raciocínio durante uma resoluçãode problemas. Pág. 81



ESTRATÉGIAS:

• Modelo inicial;
• Comparação e diferenciação entre textos;
• Condução do aprendizado – passo a passo;
• Conhecimento prévio sobre o tema;
• Trabalho em grupos troca de experiências;
• Leitura coletiva e individual;
• Dinâmicas;
• Atividades interdisciplinares. Pág. 101



REDAÇÃO NA ESCOLA
Eglê Franchi
O ensino-aprendizagem da linguagem escrita, a produção de textos, o desenvolvimento da capacidade de expressão verbal estão, de modo direto e básico, dependentes da descoberta pelos alunos de si mesmos, da valorização pessoal e da valorização da própria linguagem, de uma mudança de atitude de seu próprio texto, diante dos interlocutores no processo comunicativo ou receptores de suas manifesta. Pág. 146


A ESCRITA
A noiva que não se casou

Conta-se uma história
De um casal apaixonado
Que por muito se amar
Resolveram se casar

Um deles morava próximo ao ISM
E o outro perto da Imaculada Conceição
E apenas uma ponte
Separava esses dois corações

Como esse amor aumentava
Marcaram o casamento
Para o dia 13 de Maio
Mas foi interrompido no momento

O motivo da interrupção
Foi a morte da noiva
Que sem nenhuma explicação
Caiu dura no chão

Passados sete dias da morte
Algo terrível começou acontecer
Pois a noiva que não se casou
Aos homens começou a aparecer

Todas essas aparições
Aconteciam em uma ponte
E provocavam medo nos homens
Fazendo-os passar de longe

Como as notícias se espalharam
A população então resolveu
Pintar a ponte de branco
Em homenagem a noiva que morreu

Assim essa ponte ficou conhecida
Como a famosa ponte branca
Que embora hoje já não mais exista
Ainda está em nossa lembrança

Escrito por: Marily Campos de Morais Ferreira, durante o encontro do Gestar II - Oficina: "Leitura e Processos de EscritaII"

• A escrita se desenvolve a partir de avanços e retrocessos, mas à medida que praticamos fica mais fácil vermos os avanços. Pág. 104

• A produção textual tem como trabalho central a escrita do texto. Todas as etapas estão interligadas, mas podemos ensinar nossos alunos que durante a escrita podem planejar novamente e revisar o que escreveram, dialogando com seu texto, fazendo perguntas como as indicadas por Calkins (2002: 166 e 167): “- O que eu disse até agora? O que estou tentando dizer? De que outra forma eu poderia abordar este tema?Qual é a coisa mais significativa para mim? Como posso torná-la significativa para os meus leitores?”. Pág.110


Professores produzem texto a partir do fragmento do texto "Espírito Carnavalesco"
Espírito Carnavalesco


Ensaios da escola de samba Mocidade Alegre atrapalham sono de moradores da região.”
( Cotidiano, 29 jan. 2001.)

Cansado, ele dormia a sono solto, quando foi bruscamente despertado pela esposa, que o sacudia violentamente.
– Que aconteceu? – resmungou ele, ainda de olhos fechados.
– Não posso dormir. – queixou-se ela.
– Não pode dormir? E por quê?
– Por causa do barulho – ela, irritada: - Será possível que você não ouça?
Ele prestou atenção. De fato, havia barulho. O barulho de uma escola samba ensaiando para o carnaval: pandeiros, tamborins… Não escutara antes por causa do sono pesado. O que não era o caso da mulher. Ela exigia providências.
– Mas o que quer você que eu faça? Perguntou e, agora, também irritado.
– Quero que você vá lá e mande eles pararem com esse barulho.
O PROCESSO DE PRODUÇÃO TEXTUAL: REVISÃO E EDIÇÃO


• A revisão é desencadeada após a escrita do primeiro rascunho, da primeira versão do texto. Neste momento, o autor deve começar a se distanciar do próprio texto para considerar o objetivo, o assunto, a forma a fim de poder significar para a audiência, trabalhando a seqüência das idéias.

• A avaliação deve acontecer numa perspectiva comunicativa, considerando os elementos das situações; do próprio processo de produção textual de seus alunos e de tratamento do tema, elegendo elementos relevantes para serem revistos pelos alunos-escritores.

• Os parâmetros de revisão podem variar de acordo com as competências e habilidades que estejam sendo trabalhadas: objetivo, audiência (interlocutores / leitores) relevância, seqüência, nível de formalidade, função da comunicação.
Pág. 134




• Revisar um texto implica tomar decisões sobre a audiência, os gêneros de texte as restrições e características relacionadas ao suporte e como o conteúdo deve ser tratado de acordo com a situação e com o objetivo que se quer alcançar. Se, por exemplo, existe alguma dúvida quanto à organização de dado trecho do texto, o autor é capaz de definir enquanto escreve ou no processo de revisão uma questão como “isto não está claro, não é suficiente”, o que o levaria a “reelaborar de forma mais clara”. Escritores maduros estão em um contínuo processo de reflexão.

• A última etapa do processo de composição, denominada edição, envolve os reajustes finais visando à acuidade: é a hora de polir mais uma vez aspectos de coesão e coerência, a pontuação, a ortografia segundo as convenções estabelecidas. Pág. 142


LITERATURA PARA ADOLESCENTES
Maria Antonieta Antunes Cunha



A proposta de abordagem da literatura exige uma ação muito responsável, atenção constante e aguda. Não podemos confundir ações soltas e sem validade com experiências que valorizam e garantem outra coisa: o direito de cada um – sobretudo no campo da arte – de escolher, de pensar, sentir e reagir diferentemente do outro. Afinal, é nisso que a boa literatura aposta: no novo, no diferente, na expressão mais democrática e mais subversiva do mundo.

• Como pedir que ela ajude a formar pessoas conformadas, capazes tão-somente de repetir o que viram, ouviram ou leram?

• Existem boas formas de explorar a literatura na escola?





ADOLESCENTES, LEITURA E PROFESSORES

• Um trabalho mais sistemático em torno da forma artística da obra literária se dá paulatinamente, sempre apoiado na leitura prazerosa. Os próprios alunos, apoiados até nos trabalhos feitos com fragmentos, vão registrando a forma especial de expressão de cada obra.

• O que não devemos é inverter a ordem. Em primeiro lugar, como ponto de partida de tudo, deve estar o contato, o conhecimento da obra.

• Há uma constatação absolutamente óbvia, em torno desta proposta: o professor tem de ter entusiasmo, conhecimento em torno da literatura e contato constante com obras literárias.

• Sem conhecimento e sem experimentar a literatura, o professor tem chances muito reduzidas de ajudar a formar leitores verdadeiros.









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